domingo, 19 de abril de 2009

A vida com trilha sonora

Minha vida daria uma trilha sonora dupla e remasterizada. Já falei isso aqui no blog. Se eu pudesse escolher mais uma para compor o set list, seria esta aí. Porque hoje o riso está mais feliz.


Regime de escravidão consciente


Resolvi escrever esse post porque recebi outro convitinho de casamento e ainda tenho acompanhado as atualizações de fotos daqueles que eu decidi não ir. É comédia? Tá todo mundo casando? E eu que imaginava que essa coisa de padre e marcha nupcial estavam fadados ao esquecimento. Me enganei. Tá todo mundo casando.

Mas não pense que isso é discussão de mulher desesperada, que está ficando pra tia e não gosta de sentir a felicidade alheia, ao contrário. Fiquei feliz pela maioria dos casaizinhos que andaram juntando as escovas. Mas que eu acho que alguns deles estão se submetendo a um regime de escravidão consciente, isso eu acho.

Primeiro, gasta-se uma fortuna para realizar essas festinhas e satisfazer o ego dos outros. Vai dizer que vc nunca se pegou pensando, durante uma cerimônia: "Tão felizes, tão lindinhos juntos. Deixa vir a rotina, os filhos, a roupa suja, a dor de cabeça, a falta de sexo, a conta de luz". Eu mesma já fiz isso e muitas outras pessoas também. Não que queiramos a infelicidade alheia, mas para os casados de plantão, é ótimo saber que existem outros que se submeterão à mesma rotina massante que eles. Essa teoria não foi tirada da minha imaginação. Além disso, são tantos detalhes para pensar em se tratando de enlace plus recepção que, no final das contas, o casal acaba perdendo a chance de curtir aquele momento. Que deveria ser deles e de mais ninguém.

Vamos deixar claro que não tenho nada contra casamento. Ponto final. Tenho tudo contra se munir de grana, gastar milhares e alavancar a indústria de casamentos. Sim, porque é uma indústria. Já ouviram falar do buquê de noivo? Nem eu, mas me disseram que é a nova sensação dos casórios.

Acho que a união entre duas pessoas vai além das convenções sociais. Deve ser algo de alma, sabe? É uma decisão que se toma a dois, que não precisa ser necessariamente compartilhada com 300 convidados engravatados. Basta amar de verdade e querer compartilhar esse sentimento, sem que se precise de registro no papel e carimbo do juiz de paz.

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Madeleine Peyroux. Amooo.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Biblioteca pública e o tempo

Hoje, resolvi diversificar. Corri da multidão e fui direto para uma biblioteca pública perto da minha casa. Fui imaginando encontrar uma imensidão de livros velhos, funcionários apáticos e, cá entre nós, nenhuma alma viva entre as prateleiras. Cheguei pelas oito e não pude entrar, afinal de contas, "são oito horas ainda, moça. A bibliotecária só chega às nove". Na placa dizia que o expediente começava às oito. Pode? Pode!

Tudo bem, voltei pra casa, tomei um café e voltei às nove. Quando cheguei por lá, uma surpresa. O deserto literário transformou-se. A biblioteca que eu tinha frequentado quando tinha uns 12, 13 anos de idade não era mais a mesma.  Um amontoado de alunos se espalhavam pelo recinto. Comentavam em voz alta o quão interessante tinha sido o tal livro indicado pela tia da escola. Eu, que já estava devidamente acomodada em uma das carteirinhas, comecei a observar a conversa da garotada. Confesso que senti uma coisinha beliscando lá dentro. Tudo tinha mudado. Eu era uma pré-adolescente estranha e desengonçada entrando num biblioteca velha num bairro da Zona Norte, um lugar onde eu fui buscar os primeiros livros que a minha professora tinha recomendado. E lá estava eu novamente, mais de uma década depois, com tudo diferente.

O ambiente vazio e sem vida (perdoem-se, mas livros ganham vida se há leitores) deu lugar ao sorriso daquelas crianças, felizes por estarem ali e ansiosas para embarcarem em mais uma aventura literária. Ganhei o dia e prometi a mim mesma voltar lá mais vezes.

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Gosto de piquenique na Sternschanze ....

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